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Carreira sem Fronteiras #28 – Q&A

Depois da minha participação no #carreirasemfronteiras (se você ainda não escutou, escute aqui) com a Lenka Rejfířová e o Fabrício Carraro, muitas pessoas vieram falar comigo sobre como foi o processo e fazer perguntas. Como diversas delas são iguais ou parecidas, resolvi fazer um post com um grande resumo delas aqui.

Como aumentar as minhas chances de ser contratado por empresas de fora?

Uma coisa que você deveria pensar é: se tem uma empresa que está disposta a contratar alguém de outro país, muito provavelmente é porque não há pessoas no país com a capacidade que elas querem. Pense que essa empresa irá passar por todo um processo burocrático de documentação mais a espera, que pode demorar de país para país, sendo o mais comum entre 3 a 6 meses.

Como exemplo da República Tcheca: a taxa de desemprego está em 3,1% apenas, o que significa que quem está desempregado são pessoas que não tem a qualificação necessária. A única forma de você conseguir encontrar um profissional da área de TI hoje é fazendo uma oferta para alguém que já está empregado. E que seja uma oferta boa o suficiente para que esta pessoa aceite sair da empresa atual para ir para a outra.

Logo, o foco das empresas tem sido em pessoas com uma boa capacidade técnica, que chame a atenção deles de tal forma que eles considerem que todo o processo burocrático vá valer a pena. Muitas vezes serão pequenas coisas que irão demonstrar essas capacidades para eles!

Devo esperar e fazer mais cursos para me preparar para entrevistas?

Minha resposta é: não. Fazer entrevistas, principalmente internacionais, envolve uma série de fatores. Muitos destes são “novos” para a maioria das pessoas. Você irá fazer uma entrevista onde além de precisar se fazer compreendido, precisa entender totalmente o que a outra pessoa está falando, numa língua que não é a sua nativa. Ou seja: de nada adianta seu inglês ser perfeito e você ter que lidar com uma pessoa que tem um inglês mediano com um forte sotaque, de forma que seja quase incompreensível.

Logo, meu ponto de vista para esse tipo de coisa é que fazer entrevistas deveria ser encarado quase como um processo de “aprendizagem”: cada entrevista seria uma “aula” de como fazer uma boa entrevista.

Aqui acho que vale acrescentar um ponto: caso você vá encarar dessa forma, não se sinta “mal” ou algo do tipo caso diversas respostas sejam negativas. Encare isso como um verdadeiro processo de aprendizado.

Dado que muitas vezes estamos em lugares diferentes, como são as entrevistas? São perguntas? Tarefas? O que acontece nas entrevistas?

Novamente, eu vou contar minha experiência nesse sentido. As entrevistas aconteceram por Skype, comigo compartilhando a minha tela. Eu tinha algumas tarefas que eu deveria resolver como “prova de conhecimento”. Em uma delas, eu fiquei 6h desenvolvendo uma prova de conceito como tarefa.

Em outra situação, a empresa viu que eu tinha uma biblioteca no GitHub de comunicação usando SOAP (para quem quiser conhecer, veja o XitSoap) e eles falaram que iam avaliar esse repositório ao invés de me passar uma tarefa. O que me fez pedir a eles 2 dias para fazer um refactory no projeto, que gerou a versão 2.0 da biblioteca. O resultado foi bastante positivo: uma oferta de emprego!

Na última situação que eu tive, quando eu fui entrevistado para a empresa atual, a Massive Interactive, eu fui colocado a frente de um quadro branco e fui desafiado a fazer uma análise sobre um problema apresentado. A cada “solução” proposta, um novo problema era incluído. Foi uma das entrevistas mais interessante e dinâmica que eu já fiz. Chegamos a um ponto onde eu consegui apresentar um problema para a solução que o entrevistador comentou. E juntos chegamos a uma nova solução, ainda melhor que eu tinha proposto e a que ele tinha proposto!

Quais são as tecnologias mais usadas?

Essa é uma pergunta complexa. Eu acredito que praticamente todas as tecnologias são usadas. Talvez em um determinado local use mais que outras. Talvez para uma determinada tecnologia haja mais vagas que outras. Ou mais vagas com visa sponsor. Eu acabo sendo focado na minha área (BE com .Net), mas acho que deve ter diversos tipos de oportunidades.

Juniors têm chance de serem contratados?

Essa é uma pergunta um pouco complexa. Dado a problemática do processo burocrático, eu acredito que as empresas acabem focando mais em plenos/sêniors. Mas nada impede que tu comece o seu “processo de aprendizado de entrevistas internacionais” ainda sendo um júnior.

Onde procurar vagas?

Eu recomendo dois lugares: aqui no LinkedIn e no StackOverflow. Caso você tenha algum país em específico como meta, você também pode procurar sites do país.

Preciso formalizar meu diploma/título de alguma forma?

A maior parte dos países irá pedir uma tradução juramentada e apostilada. Tradução juramentada é uma tradução feita por um tradutor reconhecido pelo país em questão. Já o apostilamento é um processo feito em cartório, semelhante a autenticação que temos, mas reconhecida internacionalmente.

Além de diplomas e títulos que sejam pedidos, você provavelmente precisará fazer o mesmo com o certificado de antecedentes criminais.

Tenho passaporte europeu. O processo é o mesmo?

Não. Se você tem um passaporte europeu, o processo é bem mais simples. Normalmente seria ir para o país e a contratação é praticamente imediata. Mas eu recomendo falar com a empresa antes. E nesse case, deixe claro que você tem passaporte europeu, pois isso irá fazer com que você possa “furar a fila”, já que é um processo mais fácil e rápido.


Por enquanto essas foram as principais dúvidas. Caso surjam outras, eu vou atualizando esse artigo.

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